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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013


Sobre revolução e democracia na educação...
Fui convidada a participar de uma aula inaugural de um curso de pós graduação que atualmente funciona em Campina Grande- PB. O convidado: Dr. Augusto Cury e o horário marcado 8:30h. Até as 10h da manhã o palestrante ainda não havia falado, porque a universidade mostrava todo o seu projeto e sua abrangência especialmente no Nordeste brasileiro. Professores de universidades públicas da cidade encabeçando junto aos empresários o projeto de Educação, que nas palavras do reitor se tratava de uma revolução democrática! Garantir Educação aos sujeitos nos lugares mais longícuos, aonde o Estado não conseguiu chegar.
Um discurso que tentava sensibilizar a platéia ao afirmar que alunos cortadores de cana faziam parte do projeto universitário. Realmente uma revolução, algo inédito o fato do cortador tirar do seu mísero ganho mensal a cota para pagar o curso.
Um dos coordenadores contava umas histórias bonitas que cada aluno da instituição estava sendo observado e podia, inclusive se agregar à instituição prestando serviços e ganhando muito bem. Citou bons salários de estudantes da instituição garantindo que o fato dele estar matriculado nela fazia toda diferença.
Me preocupa esse fato por perceber que grandes empresários estão encabeçando projetos educacionais estritamente com fins lucrativos e estão contando com apoio governamental e aparato docente funcional público que são pagos para assumirem  DE – dedicação exclusiva às suas instituições. Me preocupa ainda o fato dessas instituições se dizerem centros de pesquisa, quando o aluno após meses de estudo não tem ideia de quem os orientará. São alunos em busca de realizar o sonho da pós graduação, sacrificando-se ao financiar sua qualificação para um mercado que, diferente do discurso dos empresários, não está em tamanha ascensão como propalam os otimistas ingênuos que compoem o campo político.
Seremos, em bem pouco tempo, um país de doutores e mestres analfabetos funcionais que lançam suas apostas em instituições que o objetivo fim é o lucro. Até que ponto eles têm compromisso com a pesquisa? Que função social cumprem? É uma forma muito vil de tentar fazer crer nas promessas de uma educação de qualidade, competente, com métodos eficientes e com bom desempenho. Para Ball(1998), esse discurso ganha terreno em virtude da existência de um Estado incompetente para garantir uma educação pública de qualidade.
Na ocasião, ao mesmo tempo em que o empresário insistia na construção de um centro de pesquisa, o seu discurso vinculava o conhecimento apenas ao emprego e produtividade.
Para coroar tudo isso, Augusto Cury com a palestra “Inteligência multifocal”. Achei que ele fosse esclarecer como elaborou essa “teoria”, quais são os pressupostos que lhe dão suporte, mas assisti apenas a um discurso adocicado de que podemos ser o que quisermos, seguidos de um jogral milagroso em que a platéia, no final, ainda foi ao delírio. Sobre isso teríamos muito a discutir ainda, mas deixo a reflexão sobre os rumos da pesquisa e da “Educação de Qualidade” que é liderada pelo empresariado da educação.

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